Tendências do Foodservice 2027: as 15 tendências do relatório iFood + WGSN
Resumo: o que diz o relatório Tendências do Foodservice
Resposta rápida: o relatório Tendências do Foodservice, edição 2027 lançada em setembro de 2026 pelo iFood em parceria com a WGSN, mapeia 5 forças propulsoras e 15 tendências que devem redefinir restaurantes, delivery e bares no Brasil nos próximos anos. As tendências vão da IA na operação e dos pagamentos invisíveis à explosão umami, aos pequenos luxos e à cultura dos virais.
Os números de contexto mostram o tamanho do setor. As atividades do iFood movimentaram R$ 166,9 bilhões na economia brasileira em 2025, alta de 19% sobre 2024, o equivalente a 0,70% do PIB (Pesquisa FIPE 2026).
Em 5 pontos:
- Tecnologia vira infraestrutura: 83% dos restaurantes parceiros que usam IA dizem que ela reduziu erros ou desperdício.
- A jornada começa no feed: 73% dos usuários do iFood já pagaram uma refeição antes de chegar ao restaurante.
- Conveniência sem limite de lugar: 28% já pediram delivery para praia, parque ou trilha; 57% aceitariam receber por drone.
- Saúde e prazer no mesmo prato: a categoria Comida Saudável cresceu 8,25% no app, enquanto 72% dos usuários dizem que o paladar ficou mais complexo.
- Cultura move demanda: a final do BBB 2026 gerou mais de 620 mil pedidos acima da média; o morango cravejado subiu 105.000% em 11 dias.
O que é o relatório iFood + WGSN e por que ele importa
O Tendências do Foodservice é um guia de 75 páginas criado pelo iFood, empresa brasileira de tecnologia com 15 anos de história e líder em delivery na América Latina, com a WGSN, autoridade global em previsão de tendências. O objetivo é antecipar mudanças e transformar tendências em oportunidades práticas para restaurantes.
O foodservice brasileiro em números

O setor deixou de ser só a solução para quando falta tempo e passou a ocupar vários momentos da rotina. Segundo a Pesquisa FIPE 2026 citada no relatório:
- R$ 166,9 bilhões movimentados na economia brasileira pelas atividades do iFood em 2025.
- +19% em relação a 2024.
- 0,70% do PIB brasileiro associado ao impacto econômico da plataforma.
O crescimento de pedidos no iFood em 2025 alcançou todas as regiões: Norte (+19,4%), Centro-Oeste (+16,3%), Nordeste (+13,5%), Sul (+11,7%) e Sudeste (+8,4%), sempre na comparação com 2024.
De onde nascem as tendências
Tecnologia, economia, clima, cultura e novos desejos mudam a forma como vivemos e consumimos. O relatório destaca cinco sinais:
- IA no cotidiano: 75% dos brasileiros dizem usar IA no dia a dia; em 2024 eram 54% (Google + Ipsos).
- Custo de vida: de 2011 a 2025, a cesta básica subiu 205%, contra 178% do salário mínimo (Observatório Fundação Itaú e Datafolha).
- Clima: chuvas fora de época reduziram em cerca de 40% a disponibilidade global de cacau, com déficit histórico de 700 mil toneladas.
- Bem-estar: o Brasil teve aumento de 83% no número de corridas de rua oficiais em um único ano (ABRACEO, 2026).
- Algoritmos: 85% das publicações nas redes são publicidade e algoritmo; apenas 17% vêm de amigos (Meta, 2025).
As 5 forças propulsoras do foodservice

Propulsores são as forças predominantes de uma época; eles explicam como as tendências vão evoluir. O iFood e a WGSN mapearam cinco que estão redefinindo como as pessoas escolhem, consomem e se relacionam com o comer:
| Propulsor | O que significa |
|---|---|
| Hiperpersonalização | Comida vira linguagem de pertencimento; as escolhas são moldadas por nichos, códigos culturais e personalização. |
| Otimização consciente | Ganhar tempo sem abrir mão do que importa: eliminar fricções, mas preservar rituais, presença e vínculos. |
| Economia da dopamina | Experiências maximalistas, criativas e inusitadas que entregam prazer imediato, escapismo e status social. |
| Tributo ao corpo | Saúde deixa de ser intenção e vira projeto de performance, disciplina e cuidado. |
| Vida sem atrito | Quanto mais a tecnologia simplifica a vida, maior a expectativa por facilidade. |
Quando essas forças chegam à mesa, ao delivery e ao salão, surgem as 15 tendências a seguir.
As 15 tendências do foodservice, uma a uma

Cada tendência traz dados do iFood, um case de restaurante parceiro (“Deu a letra”) e a ficha técnica do relatório: estágio de maturidade, onde aplicar, público-alvo e regiões de maior impacto.
1. IA na operação

O que é: a inteligência artificial deixa de só automatizar tarefas e vira uma camada de inteligência da operação, que apoia decisões, antecipa demanda e personaliza ofertas.
- 83% dos restaurantes parceiros do iFood que usam IA dizem que ela reduziu erros ou desperdícios.
- Restaurantes que adotaram o assistente de IA do iFood tiveram +5,1% de GMV, +4,7% em pedidos e -0,34% em cancelamentos (dados de junho de 2026, observacionais).
Hoje: agentes comerciais, IAs conversacionais e softwares apoiam estoque, previsão de demanda e atendimento. Mudando: os modelos passam a conectar softwares diferentes e a recomendar decisões para aumentar margens. Vem por aí: cozinhas autônomas, com IA, robótica e equipamentos conectados.
Case Casa Severina: o restaurante criou sua própria plataforma de gestão com IA e economiza R$ 72 mil por ano. Para Felipe Helvio, o maior ganho foi integrar financeiro, RH, compras e estoque e “enxergar melhor a operação”.
Ficha técnica: estágio emergente a ganhando tração · foco em gestão e operação · todas as gerações · todas as regiões. Por onde começar: entender os desafios do negócio e explorar onde a IA pode facilitar a operação.
2. Do On ao Off

O que é: a escolha do restaurante e do prato acontece cada vez mais no digital, influenciada por algoritmos, antes de o cliente sair de casa. O feed vira o ponto de partida para descobrir, reservar e pagar.
- 73% dos usuários do iFood já pagaram por uma refeição antes de chegar ao estabelecimento.
- 3 em cada 4 restaurantes parceiros com salão já oferecem ou pretendem oferecer pedido antecipado.
Hoje: o algoritmo dita o desejo e o cliente espera uma jornada contínua do feed ao salão. Mudando: plataformas conectam atração, reserva, pedido, pagamento e fidelização. Vem por aí: estratégias preditivas e omnichannel que monetizam a atenção antes da visita.
Case Thanks Burger: o cliente faz check-in, avalia a experiência e ganha um prêmio para voltar à loja. Foram cerca de 400 check-ins em uma quinzena, conta Lucas Pereira.
Ficha técnica: estágio emergente · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · Sudeste e Sul. Por onde começar: conectar físico e digital, integrando informações, experiências e benefícios.
3. Pagamentos invisíveis

O que é: pagar fica autônomo, intuitivo e quase invisível, impulsionado por IA, interfaces conversacionais e dispositivos conectados.
- 54% dos restaurantes pretendem implantar self-checkout ou pagamento na mesa.
- 46% têm interesse em biometria e 41% em pagamento por voz; só 4,4% já oferecem cada um.
- 40% dos consumidores usam self-checkout “sempre que possível”.
Hoje: aproximação, carteiras digitais, voz e wearables. Mudando: carteiras integram moedas, fidelidade e formas de pagamento num só ambiente. Vem por aí: pagamentos automáticos e contextuais, sem esperar o garçom nem enfrentar fila.
Case Ambrozini Brasileira Floresta: um sistema cashless integra pagamento, fidelidade e créditos pré-pagos. Segundo Pedro Ambrosio, o tempo de pagamento caiu cerca de 40% e a retenção subiu entre 20% e 30%.
Ficha técnica: estágio emergente a ganhando tração · foco em gestão e operação · Gen Z, Millennials e Gen Alfa · todas as regiões. Por onde começar: mapear onde o pagamento ainda gera atrito e simplificar.
4. Superconveniência

O que é: onde quiser, na hora que quiser. A conveniência vira norma e o delivery chega a praias, parques, trilhas e eventos, com novas embalagens e até drones.
- 28% dos usuários do iFood já pediram delivery para um local não tradicional.
- 65% dos restaurantes parceiros já mudaram receitas pensando só no transporte.
- 57% dos usuários se sentiriam confortáveis recebendo pedido por drone ou veículo autônomo.
Hoje: logística inteligente, rotas otimizadas e rastreio em tempo real. Mudando: embalagens e técnicas como desidratação e liofilização preservam sabor, textura e temperatura. Vem por aí: embalagens autoaquecíveis e entregas autônomas.
Case Torta no Quintal: preparo quase imediato, produto pré-porcionado, boa embalagem e a logística do Turbo, que já responde por 12% dos pedidos. “Velocidade já não é diferencial, é expectativa”, diz Juliana Abel.
Ficha técnica: estágio emergente a ganhando tração · foco entre oferta e experiência · Gen Z, Millennials e Gen Alfa · todas as regiões. Por onde começar: tornar preparo, embalagem e logística mais ágeis.
5. Clima Comida

O que é: as mudanças climáticas passam a afetar diretamente como produzimos, escolhemos e consumimos comida. Ingredientes nativos, cadeias resilientes, hidratação e refrescância ganham peso.
- Os pedidos de comida saudável cresceram 2 vezes mais no verão do que na média do ano (2024–2025).
- Pedidos de sorvete subiram 24,5% em um ano; no Nordeste, 41,3%, com picos de madrugada. Açaí cresceu 15%.
- 75% dos parceiros iFood dizem que o clima já impacta a operação.
Hoje: crises de cacau, café e azeite afetam preço, oferta e qualidade. Mudando: hidratação, refrescância e ingredientes nativos ganham relevância. Vem por aí: fornecedores responsáveis e regenerativos viram necessidade.
Case Padaria Holandesa: a produção é planejada com a previsão do tempo. Segundo Davi Ferreira, cada 1 °C acima do normal reduz o movimento de 1% a 1,5%; no frio, a cesta cresce cerca de 3%.
Ficha técnica: estágio ganhando tração · foco em oferta e menu · Boomers, Gen X e Gen Alfa · todas as regiões. Por onde começar: observar como o clima afeta a demanda e adaptar cardápio, produção e compras.
6. Salão como plataforma de experiência

O que é: para ampliar fluxo e receita, o salão vira espaço multifuncional que une gastronomia, entretenimento, socialização e permanência.
- 55% dos restaurantes com espaço físico têm ociosidade à tarde; pela manhã, 46%.
- 41% dos consumidores já usaram ou gostariam de usar restaurantes para eventos culturais ou musicais; 39% para relaxar, ler ou ficar sozinhos.
- 39% acreditam que restaurantes preparados para trabalho e socialização entrariam na rotina.
- 19% gastariam de R$ 20 a R$ 70 a mais em espaços com estrutura para permanência.
Hoje: eventos que estimulam encontros espontâneos. Mudando: salões adaptados por horário, como almoço, aula de dança à tarde e música à noite. Vem por aí: negócios que já nascem com várias receitas, como locação, varejo ou mercearia anexa.
Case JSK Burger: brinquedoteca, happy hour e ações sazonais. Em agosto, os dias de evento tiveram até 16% mais movimento e quase 5% mais faturamento, segundo Jéssica Kniphof.
Ficha técnica: estágio ganhando tração · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · todas as regiões. Por onde começar: identificar horários de baixo movimento e testar novos usos do salão.
7. Fome de bem-estar

O que é: comida passa a ser vista como ferramenta de bem-estar integral. O cliente quer refeições que melhorem humor, energia, sono, recuperação e cognição, sem perder sabor.
- A categoria “Comida Saudável” cresceu 8,25% no iFood entre 2024 e 2025.
- 54% dos parceiros adaptaram o cardápio para incluir pratos saudáveis no último ano.
- 32% dos consumidores querem ver macronutrientes nos pratos de delivery.
Hoje: ingredientes de performance e saciedade, como proteína. Mudando: a fibra desponta como próximo destaque; tâmara, agave e receitas sem açúcar ganham espaço. Vem por aí: adaptógenos, magnésio, hidratação em pó ou tablete e nutricosméticos com colágeno e antioxidantes.
Case Boali: em 2019 eram 1.500 pedidos por mês; hoje são 1.500 a cada 70 minutos. Rodrigo Barros atribui o salto principalmente à demanda por alimentação saudável.
Ficha técnica: estágio emergente a em expansão · foco em oferta e menu · Gen Z, Millennials e Gen X · Sudeste e Sul. Por onde começar: entender quais benefícios importam para o seu público e adaptar ingredientes e ofertas.
8. Menu fixo flex

O que é: restrições alimentares, dietas e objetivos individuais, incluindo a era do GLP-1, transformam a personalização em expectativa. O cardápio fica modular e adaptável.
- 38,7 milhões de pedidos customizáveis no iFood em 2025, alta de 13,8% sobre 2024.
- 50% dos restaurantes parceiros dizem que opções personalizáveis aumentam as vendas.
Hoje: “monte seu prato”, bowls e versões com leites vegetais e proteínas substitutas. Mudando: mini porções, menus degustação, água proteica e barrinhas personalizadas. Vem por aí: menus recomendados por dados de consumo, com doses ajustadas a cada pessoa.
Case Olga Ri: cerca de 60% dos pedidos são de clientes que montam a própria salada ou poke, com restrições e macros informados, conta Cris Sindicic.
Ficha técnica: estágio ganhando tração a em expansão · foco em oferta e menu · Gen Z, Millennials e Gen Alfa · Sudeste e Sul. Por onde começar: descobrir as personalizações mais pedidas e ampliar a flexibilidade sem complicar a operação.
9. Explosão umami

O que é: paladares mais exigentes levam o umami, o quinto sabor, para pratos do dia a dia, com queijo curado, cogumelos, missô, agridoce e fermentados.
- 72% dos usuários do iFood acham que o paladar ficou mais complexo nos últimos anos.
- 71% dizem que as redes sociais são o gatilho para experimentar um prato novo; 54% usam o feed como guia de tendências.
Hoje: shoyu, missô, koji, cogumelos, tomate e queijos curados em receitas contemporâneas. Mudando: misturas inesperadas chegam a receitas populares. Vem por aí: texturas contrastantes, como crocante por fora e cremoso por dentro, recheios líquidos e molhos densos.
Case Bráz Elettrica: o projeto Elettrica & Co. leva chefs convidados à pizza, como Paul Cho, com gochujang, shoyu, chilli crispy e picles de nabo, relata Tiago Araujo.
Ficha técnica: estágio ganhando tração · foco na experiência sensorial do consumidor · todas as gerações · todas as regiões. Por onde começar: testar ingredientes, técnicas e combinações que gerem curiosidade.
10. Pequenos luxos

O que é: pedir delivery virou hábito; o encanto agora está em pequenas indulgências e “luxos acessíveis” que elevam a rotina e comunicam repertório e estilo de vida.
- 36% dos restaurantes parceiros percebem mais procura pelas opções sofisticadas do cardápio.
- O que é premium para o consumidor: ingredientes especiais (53%), apresentação (49%), chef ou restaurante renomado (26%), embalagem diferenciada (18%), edição limitada (10%) e história da receita (6%).
Hoje: ingredientes premium em receitas simples, como o azeite trufado. Mudando: embalagens, finalizações e montagens indulgentes no delivery. Vem por aí: comida como capital cultural e social.
Case San: o Omakase para delivery, com ticket quase 3 vezes maior que o de um poke, somou quase 3.000 pedidos no último ano, segundo Martin Vidal.
Ficha técnica: estágio em expansão · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · todas as regiões. Por onde começar: identificar quando ingrediente, apresentação ou experiência transformam uma refeição comum em especial.
11. Consumo multigeracional & multiespécie

O que é: um mesmo pedido precisa atender várias gerações e até os pets da casa. Segundo o IBGE, seis gerações convivem hoje no Brasil, e os animais viraram membros da família.
- Os pedidos em pet shop no iFood saltaram 42,8% em um ano.
- 16% dos restaurantes parceiros já têm ofertas dedicadas aos pets.
Hoje: crianças e adolescentes influenciam as escolhas cada vez mais cedo. Mudando: pedidos compartilhados exigem cardápios que conciliem idades, restrições e gostos. Vem por aí: pets passam a pesar na escolha de restaurantes e experiências.
Case Formigueiro: as famílias pediam pratos diferentes, e o restaurante reuniu seis cozinhas num só cardápio. Hoje 9 em cada 10 clientes são recorrentes, conta Claudio José.
Ficha técnica: estágio ganhando tração a em expansão · foco em oferta e menu · Boomers, Gen Z e Millennials · Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sul. Por onde começar: entender quem participa do pedido e oferecer opções para várias idades, necessidades e pets.
12. Brasil com S

O que é: junto ao hype da cultura brasileira, cresce o interesse por receitas, ingredientes e gastronomias regionais. A culinária brasileira é a segunda maior paixão do iFood, com mais de 140 milhões de pedidos em 2025.
- Nunca provaram, mas têm vontade: barreado (54%), tacacá (49%) e pato no tucupi (44%).
- Já provaram e querem repetir: arroz carreteiro (73%) e baião de dois (67%).
- 50% têm muito interesse em sabores típicos de outras regiões do país.
Hoje: acarajé, churrasco, moqueca e queijo canastra valorizados além da origem. Mudando: ingredientes amazônicos ganham atenção, como o cumaru, conhecido lá fora como tonka bean. Vem por aí: releituras e fusões que criam uma “terceira cultura” culinária.
Case Amazônia na Cuia: ao sugerir bombons e biscoitos de cupuaçu, bacuri e castanha-do-pará como upsell no app, a loja recebeu pedidos com até oito bombons, relata Rafael Barros.
Ficha técnica: estágio em expansão · foco em oferta e menu · Gen Z e Millennials · todas as regiões. Por onde começar: trazer ingredientes e receitas de outras regiões e contar a história deles ao cliente.
13. Tempero latino

O que é: saberes e sabores da América Latina são resgatados pela cozinha contemporânea e por tecnologias de alimentos inspiradas na região.
- 48% dos usuários do iFood dizem que o interesse pela cultura latina aumentou no último ano.
- Cozinhas com maior interesse: cubana (67%), colombiana (64%), venezuelana (60%), chilena (58%) e peruana (56%).
Hoje: além da mexicana, a peruana e a colombiana ganham espaço. Mudando: brasileiros passam a se reconhecer como latinos, e as fusões entre cozinhas se intensificam. Vem por aí: a região vira fonte estratégica de ingredientes e técnicas para o foodtech.
Case El Delírio: a comida mexicana virou rotina, com clientes que conhecem molhos e níveis de picância. Para Renato D’Angelo, música, drinks e ambiente fazem parte da experiência.
Ficha técnica: estágio em expansão · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · todas as regiões. Por onde começar: explorar sabores e referências latinas que combinem com a identidade do restaurante.
14. Dedo na cultura

O que é: fandoms e o calendário do entretenimento passam a moldar cardápios, campanhas e produtos. Eventos culturais viram gatilhos de demanda antes e depois da transmissão.
- 74% dos consumidores já pediram delivery durante um evento: jogos de futebol (48%), datas comemorativas (30%), finais de novela ou série (24%), BBB (21%) e shows transmitidos (19%).
- A final do BBB 2026 gerou mais de 620 mil pedidos acima da média das quatro terças anteriores.
Hoje: novelas e universos como o K-pop viram oportunidade de engajamento. Mudando: shows, campeonatos e realities geram consumo temático. Vem por aí: cardápios desenhados no ritmo do que as pessoas assistem e comentam.
Case Patties: collabs com NASA, Chaves e futebol viraram produto. O Patties Legends vendeu mais de 45 mil combos em três meses, segundo Henrique Azeredo.
Ficha técnica: estágio ganhando tração · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · Norte, Sudeste e Nordeste. Por onde começar: acompanhar os momentos que movem seu público e criar ocasiões de consumo em torno deles.
15. Cultura dos virais

O que é: comidas que viralizam nas redes transformam conteúdo em picos de demanda quase instantâneos, movidos por estética, desejo e algoritmo.
- Morango do amor (julho de 2025): +2.300% em pedidos em um mês.
- Bolo pudim (abril de 2026): +128% em um mês.
- Morango cravejado (setembro de 2026): +105.000% em 11 dias.
- 35% dos usuários provam virais por curiosidade pelo sabor.
Hoje: alguns virais ficam, como pistache e matcha; outros são picos rápidos. Mudando: as redes aceleram o ciclo e decidem o que entra e sai dos cardápios. Vem por aí: o “AI Food Slop”, comida criada para ser vista numa tela antes de ser comida.
Case Scherbi’s: a marca escolhe quais trends seguir e sempre dá sua própria leitura, além de criar virais, como o cookie de doce de leite com gergelim, diz Isa Scherer.
Ficha técnica: estágio maturidade · foco na experiência do consumidor · Gen Z, Millennials, Gen X e Gen Alfa · todas as regiões. Por onde começar: monitorar as redes e testar rápido só os virais que combinam com a marca.
Tabela-resumo: as 15 tendências do foodservice 2027
A tendência mais madura é a cultura dos virais (estágio 4); a mais inicial é Do On ao Off (estágio 1). Estágios: 1 Emergente, 2 Ganhando tração, 3 Em expansão, 4 Maturidade.
| Nº | Tendência | Estágio | Onde aplicar | Público-alvo | Dado-chave |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | IA na operação | 1–2 | Gestão e operação | Todas as gerações | 83% reduziram erros ou desperdício com IA |
| 2 | Do On ao Off | 1 | Experiência | Gen Z, Millennials | 73% já pagaram antes de chegar |
| 3 | Pagamentos invisíveis | 1–2 | Gestão e operação | Gen Z, Millennials, Alfa | 54% querem self-checkout ou pagamento na mesa |
| 4 | Superconveniência | 1–2 | Oferta e experiência | Gen Z, Millennials, Alfa | 57% aceitariam entrega por drone |
| 5 | Clima Comida | 2 | Oferta e menu | Boomers, Gen X, Alfa | 75% sentem o clima na operação |
| 6 | Salão como plataforma de experiência | 2 | Experiência | Gen Z, Millennials | 55% têm salão ocioso à tarde |
| 7 | Fome de bem-estar | 1–3 | Oferta e menu | Gen Z, Millennials, Gen X | Comida Saudável +8,25% |
| 8 | Menu fixo flex | 2–3 | Oferta e menu | Gen Z, Millennials, Alfa | 38,7 mi de pedidos customizáveis |
| 9 | Explosão umami | 2 | Experiência | Todas as gerações | 72% sentem o paladar mais complexo |
| 10 | Pequenos luxos | 3 | Experiência | Gen Z, Millennials | 53% ligam premium a ingredientes especiais |
| 11 | Consumo multigeracional & multiespécie | 2–3 | Oferta e menu | Boomers, Gen Z, Millennials | Pet shop +42,8% em pedidos |
| 12 | Brasil com S | 3 | Oferta e menu | Gen Z, Millennials | Mais de 140 mi de pedidos de comida brasileira |
| 13 | Tempero latino | 3 | Experiência | Gen Z, Millennials | 48% com mais interesse na cultura latina |
| 14 | Dedo na cultura | 2 | Experiência | Gen Z, Millennials | 620 mil pedidos extras na final do BBB |
| 15 | Cultura dos virais | 4 | Experiência | Gen Z, Millennials, Gen X, Alfa | Morango cravejado +105.000% |
Como aplicar as tendências no seu restaurante
O relatório organiza as ações em três frentes: gestão e operação, oferta e menu, e experiência do consumidor. Um checklist para começar:
Gestão e operação
- Listar os três maiores gargalos da operação e testar uma ferramenta de IA em um deles.
- Mapear onde o pagamento gera fila ou espera e avaliar self-checkout ou pagamento na mesa.
- Cruzar vendas com a previsão do tempo para ajustar produção e compras.
Oferta e menu
- Incluir opções personalizáveis e informar restrições e macronutrientes.
- Testar um ingrediente regional brasileiro ou latino, contando sua origem.
- Criar uma versão “pequeno luxo” de um prato campeão, com ingrediente ou finalização especial.
- Revisar embalagens e receitas pensando no transporte.
Experiência do consumidor
- Conectar redes, reserva, pedido e fidelidade numa jornada única.
- Ocupar horários ociosos do salão com eventos, trabalho ou experiências.
- Montar um calendário de eventos culturais e esportivos que movem seu público.
- Definir um critério para entrar ou não em virais, sempre com a cara da marca.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é o relatório Tendências do Foodservice 2027?
É um guia do iFood em parceria com a WGSN, lançado em setembro de 2026. Ele mapeia 5 forças propulsoras e 15 tendências que devem transformar restaurantes, delivery e bares no Brasil.
Quais são as 15 tendências do foodservice?
IA na operação, Do On ao Off, pagamentos invisíveis, superconveniência, Clima Comida, salão como plataforma de experiência, fome de bem-estar, menu fixo flex, explosão umami, pequenos luxos, consumo multigeracional & multiespécie, Brasil com S, tempero latino, dedo na cultura e cultura dos virais.
Quais são os 5 propulsores do foodservice?
Hiperpersonalização, otimização consciente, economia da dopamina, tributo ao corpo e vida sem atrito.
Qual tendência do foodservice está mais madura?
A cultura dos virais, no estágio 4 (maturidade). Do On ao Off é a mais inicial, no estágio 1 (emergente).
Quanto o iFood movimentou na economia brasileira?
R$ 166,9 bilhões em 2025, alta de 19% sobre 2024 e o equivalente a 0,70% do PIB, segundo a Pesquisa FIPE 2026.
Como a IA está sendo usada nos restaurantes?
Em estoque, previsão de demanda, atendimento e gestão. 83% dos parceiros do iFood que usam IA dizem que ela reduziu erros ou desperdício.
O clima afeta o delivery?
Sim. 75% dos parceiros do iFood sentem o impacto do clima, e os pedidos de sorvete subiram 24,5% em um ano, chegando a 41,3% no Nordeste.
Por que comidas virais vendem tanto?
As redes transformam visibilidade em demanda imediata. O morango cravejado teve alta de 105.000% nos pedidos em 11 dias, e 35% dos usuários provam virais por curiosidade.
Como um restaurante pequeno pode começar?
Escolha uma frente por vez: simplifique o pagamento, ofereça opções personalizáveis e use a previsão do tempo para planejar a produção.
Conclusão: conveniência que vira vínculo
O recado do relatório é que preço e tempo de entrega já não bastam para diferenciar um restaurante. Vence quem usa tecnologia para operar melhor e, ao mesmo tempo, entrega prazer, saúde, identidade e pertencimento no prato. Como resume o guia, o futuro se constrói quando as tendências chegam às mãos de quem faz o negócio acontecer.
Fonte: Tendências do Foodservice, iFood + WGSN, setembro de 2026. Dados de consumo do iFood e Pesquisa FIPE 2026.
Este conteúdo foi produzido por Fabio Costa, colunista convidado do Mundo Food Service. O autor responde integralmente pela apuração, redação e curadoria das informações aqui apresentadas.
CEO da Idea Shake Digital e cofundador da Mundo Food Service. Escrevo sobre IA, automação, marketing e transformação digital aplicada ao food service e negócios.
O Mundo Food Service é uma comunidade que conecta fornecedores aos bares, restaurantes e lanchonetes, oferecendo conteúdo estratégico, ferramentas e soluções para impulsionar o setor de alimentação fora do lar.




