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Tendências do Foodservice 2027: as 15 tendências do relatório iFood + WGSN

Resumo: o que diz o relatório Tendências do Foodservice

Resposta rápida: o relatório Tendências do Foodservice, edição 2027 lançada em setembro de 2026 pelo iFood em parceria com a WGSN, mapeia 5 forças propulsoras e 15 tendências que devem redefinir restaurantes, delivery e bares no Brasil nos próximos anos. As tendências vão da IA na operação e dos pagamentos invisíveis à explosão umami, aos pequenos luxos e à cultura dos virais.

Os números de contexto mostram o tamanho do setor. As atividades do iFood movimentaram R$ 166,9 bilhões na economia brasileira em 2025, alta de 19% sobre 2024, o equivalente a 0,70% do PIB (Pesquisa FIPE 2026).

Em 5 pontos:

  • Tecnologia vira infraestrutura: 83% dos restaurantes parceiros que usam IA dizem que ela reduziu erros ou desperdício.
  • A jornada começa no feed: 73% dos usuários do iFood já pagaram uma refeição antes de chegar ao restaurante.
  • Conveniência sem limite de lugar: 28% já pediram delivery para praia, parque ou trilha; 57% aceitariam receber por drone.
  • Saúde e prazer no mesmo prato: a categoria Comida Saudável cresceu 8,25% no app, enquanto 72% dos usuários dizem que o paladar ficou mais complexo.
  • Cultura move demanda: a final do BBB 2026 gerou mais de 620 mil pedidos acima da média; o morango cravejado subiu 105.000% em 11 dias.

O que é o relatório iFood + WGSN e por que ele importa

O Tendências do Foodservice é um guia de 75 páginas criado pelo iFood, empresa brasileira de tecnologia com 15 anos de história e líder em delivery na América Latina, com a WGSN, autoridade global em previsão de tendências. O objetivo é antecipar mudanças e transformar tendências em oportunidades práticas para restaurantes.

O foodservice brasileiro em números

iFood movimentou R$ 166,9 bilhões na economia brasileira em 2025, segundo a FIPE
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O setor deixou de ser só a solução para quando falta tempo e passou a ocupar vários momentos da rotina. Segundo a Pesquisa FIPE 2026 citada no relatório:

  • R$ 166,9 bilhões movimentados na economia brasileira pelas atividades do iFood em 2025.
  • +19% em relação a 2024.
  • 0,70% do PIB brasileiro associado ao impacto econômico da plataforma.

O crescimento de pedidos no iFood em 2025 alcançou todas as regiões: Norte (+19,4%), Centro-Oeste (+16,3%), Nordeste (+13,5%), Sul (+11,7%) e Sudeste (+8,4%), sempre na comparação com 2024.

De onde nascem as tendências

Tecnologia, economia, clima, cultura e novos desejos mudam a forma como vivemos e consumimos. O relatório destaca cinco sinais:

  1. IA no cotidiano: 75% dos brasileiros dizem usar IA no dia a dia; em 2024 eram 54% (Google + Ipsos).
  2. Custo de vida: de 2011 a 2025, a cesta básica subiu 205%, contra 178% do salário mínimo (Observatório Fundação Itaú e Datafolha).
  3. Clima: chuvas fora de época reduziram em cerca de 40% a disponibilidade global de cacau, com déficit histórico de 700 mil toneladas.
  4. Bem-estar: o Brasil teve aumento de 83% no número de corridas de rua oficiais em um único ano (ABRACEO, 2026).
  5. Algoritmos: 85% das publicações nas redes são publicidade e algoritmo; apenas 17% vêm de amigos (Meta, 2025).

As 5 forças propulsoras do foodservice

As 5 forças propulsoras do foodservice: hiperpersonalização, otimização consciente, economia da dopamina, tributo ao corpo e vida sem atrito
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

Propulsores são as forças predominantes de uma época; eles explicam como as tendências vão evoluir. O iFood e a WGSN mapearam cinco que estão redefinindo como as pessoas escolhem, consomem e se relacionam com o comer:

Propulsor O que significa
Hiperpersonalização Comida vira linguagem de pertencimento; as escolhas são moldadas por nichos, códigos culturais e personalização.
Otimização consciente Ganhar tempo sem abrir mão do que importa: eliminar fricções, mas preservar rituais, presença e vínculos.
Economia da dopamina Experiências maximalistas, criativas e inusitadas que entregam prazer imediato, escapismo e status social.
Tributo ao corpo Saúde deixa de ser intenção e vira projeto de performance, disciplina e cuidado.
Vida sem atrito Quanto mais a tecnologia simplifica a vida, maior a expectativa por facilidade.

Quando essas forças chegam à mesa, ao delivery e ao salão, surgem as 15 tendências a seguir.

As 15 tendências do foodservice, uma a uma

Lista das 15 tendências do foodservice mapeadas por iFood e WGSN
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

Cada tendência traz dados do iFood, um case de restaurante parceiro (“Deu a letra”) e a ficha técnica do relatório: estágio de maturidade, onde aplicar, público-alvo e regiões de maior impacto.

1. IA na operação

Tendência 1: IA na operação de restaurantes
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: a inteligência artificial deixa de só automatizar tarefas e vira uma camada de inteligência da operação, que apoia decisões, antecipa demanda e personaliza ofertas.

  • 83% dos restaurantes parceiros do iFood que usam IA dizem que ela reduziu erros ou desperdícios.
  • Restaurantes que adotaram o assistente de IA do iFood tiveram +5,1% de GMV, +4,7% em pedidos e -0,34% em cancelamentos (dados de junho de 2026, observacionais).

Hoje: agentes comerciais, IAs conversacionais e softwares apoiam estoque, previsão de demanda e atendimento. Mudando: os modelos passam a conectar softwares diferentes e a recomendar decisões para aumentar margens. Vem por aí: cozinhas autônomas, com IA, robótica e equipamentos conectados.

Case Casa Severina: o restaurante criou sua própria plataforma de gestão com IA e economiza R$ 72 mil por ano. Para Felipe Helvio, o maior ganho foi integrar financeiro, RH, compras e estoque e “enxergar melhor a operação”.

Ficha técnica: estágio emergente a ganhando tração · foco em gestão e operação · todas as gerações · todas as regiões. Por onde começar: entender os desafios do negócio e explorar onde a IA pode facilitar a operação.

2. Do On ao Off

Tendência 2: do On ao Off, a jornada do feed ao salão
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: a escolha do restaurante e do prato acontece cada vez mais no digital, influenciada por algoritmos, antes de o cliente sair de casa. O feed vira o ponto de partida para descobrir, reservar e pagar.

  • 73% dos usuários do iFood já pagaram por uma refeição antes de chegar ao estabelecimento.
  • 3 em cada 4 restaurantes parceiros com salão já oferecem ou pretendem oferecer pedido antecipado.

Hoje: o algoritmo dita o desejo e o cliente espera uma jornada contínua do feed ao salão. Mudando: plataformas conectam atração, reserva, pedido, pagamento e fidelização. Vem por aí: estratégias preditivas e omnichannel que monetizam a atenção antes da visita.

Case Thanks Burger: o cliente faz check-in, avalia a experiência e ganha um prêmio para voltar à loja. Foram cerca de 400 check-ins em uma quinzena, conta Lucas Pereira.

Ficha técnica: estágio emergente · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · Sudeste e Sul. Por onde começar: conectar físico e digital, integrando informações, experiências e benefícios.

3. Pagamentos invisíveis

Tendência 3: pagamentos invisíveis no foodservice
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: pagar fica autônomo, intuitivo e quase invisível, impulsionado por IA, interfaces conversacionais e dispositivos conectados.

  • 54% dos restaurantes pretendem implantar self-checkout ou pagamento na mesa.
  • 46% têm interesse em biometria e 41% em pagamento por voz; só 4,4% já oferecem cada um.
  • 40% dos consumidores usam self-checkout “sempre que possível”.

Hoje: aproximação, carteiras digitais, voz e wearables. Mudando: carteiras integram moedas, fidelidade e formas de pagamento num só ambiente. Vem por aí: pagamentos automáticos e contextuais, sem esperar o garçom nem enfrentar fila.

Case Ambrozini Brasileira Floresta: um sistema cashless integra pagamento, fidelidade e créditos pré-pagos. Segundo Pedro Ambrosio, o tempo de pagamento caiu cerca de 40% e a retenção subiu entre 20% e 30%.

Ficha técnica: estágio emergente a ganhando tração · foco em gestão e operação · Gen Z, Millennials e Gen Alfa · todas as regiões. Por onde começar: mapear onde o pagamento ainda gera atrito e simplificar.

4. Superconveniência

Tendência 4: superconveniência no delivery
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: onde quiser, na hora que quiser. A conveniência vira norma e o delivery chega a praias, parques, trilhas e eventos, com novas embalagens e até drones.

  • 28% dos usuários do iFood já pediram delivery para um local não tradicional.
  • 65% dos restaurantes parceiros já mudaram receitas pensando só no transporte.
  • 57% dos usuários se sentiriam confortáveis recebendo pedido por drone ou veículo autônomo.

Hoje: logística inteligente, rotas otimizadas e rastreio em tempo real. Mudando: embalagens e técnicas como desidratação e liofilização preservam sabor, textura e temperatura. Vem por aí: embalagens autoaquecíveis e entregas autônomas.

Case Torta no Quintal: preparo quase imediato, produto pré-porcionado, boa embalagem e a logística do Turbo, que já responde por 12% dos pedidos. “Velocidade já não é diferencial, é expectativa”, diz Juliana Abel.

Ficha técnica: estágio emergente a ganhando tração · foco entre oferta e experiência · Gen Z, Millennials e Gen Alfa · todas as regiões. Por onde começar: tornar preparo, embalagem e logística mais ágeis.

5. Clima Comida

Tendência 5: Clima e Comida, o impacto das mudanças climáticas na alimentação
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: as mudanças climáticas passam a afetar diretamente como produzimos, escolhemos e consumimos comida. Ingredientes nativos, cadeias resilientes, hidratação e refrescância ganham peso.

  • Os pedidos de comida saudável cresceram 2 vezes mais no verão do que na média do ano (2024–2025).
  • Pedidos de sorvete subiram 24,5% em um ano; no Nordeste, 41,3%, com picos de madrugada. Açaí cresceu 15%.
  • 75% dos parceiros iFood dizem que o clima já impacta a operação.

Hoje: crises de cacau, café e azeite afetam preço, oferta e qualidade. Mudando: hidratação, refrescância e ingredientes nativos ganham relevância. Vem por aí: fornecedores responsáveis e regenerativos viram necessidade.

Case Padaria Holandesa: a produção é planejada com a previsão do tempo. Segundo Davi Ferreira, cada 1 °C acima do normal reduz o movimento de 1% a 1,5%; no frio, a cesta cresce cerca de 3%.

Ficha técnica: estágio ganhando tração · foco em oferta e menu · Boomers, Gen X e Gen Alfa · todas as regiões. Por onde começar: observar como o clima afeta a demanda e adaptar cardápio, produção e compras.

6. Salão como plataforma de experiência

Tendência 6: salão do restaurante como plataforma de experiência
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: para ampliar fluxo e receita, o salão vira espaço multifuncional que une gastronomia, entretenimento, socialização e permanência.

  • 55% dos restaurantes com espaço físico têm ociosidade à tarde; pela manhã, 46%.
  • 41% dos consumidores já usaram ou gostariam de usar restaurantes para eventos culturais ou musicais; 39% para relaxar, ler ou ficar sozinhos.
  • 39% acreditam que restaurantes preparados para trabalho e socialização entrariam na rotina.
  • 19% gastariam de R$ 20 a R$ 70 a mais em espaços com estrutura para permanência.

Hoje: eventos que estimulam encontros espontâneos. Mudando: salões adaptados por horário, como almoço, aula de dança à tarde e música à noite. Vem por aí: negócios que já nascem com várias receitas, como locação, varejo ou mercearia anexa.

Case JSK Burger: brinquedoteca, happy hour e ações sazonais. Em agosto, os dias de evento tiveram até 16% mais movimento e quase 5% mais faturamento, segundo Jéssica Kniphof.

Ficha técnica: estágio ganhando tração · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · todas as regiões. Por onde começar: identificar horários de baixo movimento e testar novos usos do salão.

7. Fome de bem-estar

Tendência 7: fome de bem-estar e comida funcional
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: comida passa a ser vista como ferramenta de bem-estar integral. O cliente quer refeições que melhorem humor, energia, sono, recuperação e cognição, sem perder sabor.

  • A categoria “Comida Saudável” cresceu 8,25% no iFood entre 2024 e 2025.
  • 54% dos parceiros adaptaram o cardápio para incluir pratos saudáveis no último ano.
  • 32% dos consumidores querem ver macronutrientes nos pratos de delivery.

Hoje: ingredientes de performance e saciedade, como proteína. Mudando: a fibra desponta como próximo destaque; tâmara, agave e receitas sem açúcar ganham espaço. Vem por aí: adaptógenos, magnésio, hidratação em pó ou tablete e nutricosméticos com colágeno e antioxidantes.

Case Boali: em 2019 eram 1.500 pedidos por mês; hoje são 1.500 a cada 70 minutos. Rodrigo Barros atribui o salto principalmente à demanda por alimentação saudável.

Ficha técnica: estágio emergente a em expansão · foco em oferta e menu · Gen Z, Millennials e Gen X · Sudeste e Sul. Por onde começar: entender quais benefícios importam para o seu público e adaptar ingredientes e ofertas.

8. Menu fixo flex

Tendência 8: menu fixo flex e cardápio personalizável
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: restrições alimentares, dietas e objetivos individuais, incluindo a era do GLP-1, transformam a personalização em expectativa. O cardápio fica modular e adaptável.

  • 38,7 milhões de pedidos customizáveis no iFood em 2025, alta de 13,8% sobre 2024.
  • 50% dos restaurantes parceiros dizem que opções personalizáveis aumentam as vendas.

Hoje: “monte seu prato”, bowls e versões com leites vegetais e proteínas substitutas. Mudando: mini porções, menus degustação, água proteica e barrinhas personalizadas. Vem por aí: menus recomendados por dados de consumo, com doses ajustadas a cada pessoa.

Case Olga Ri: cerca de 60% dos pedidos são de clientes que montam a própria salada ou poke, com restrições e macros informados, conta Cris Sindicic.

Ficha técnica: estágio ganhando tração a em expansão · foco em oferta e menu · Gen Z, Millennials e Gen Alfa · Sudeste e Sul. Por onde começar: descobrir as personalizações mais pedidas e ampliar a flexibilidade sem complicar a operação.

9. Explosão umami

Tendência 9: explosão umami e sabores complexos
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: paladares mais exigentes levam o umami, o quinto sabor, para pratos do dia a dia, com queijo curado, cogumelos, missô, agridoce e fermentados.

  • 72% dos usuários do iFood acham que o paladar ficou mais complexo nos últimos anos.
  • 71% dizem que as redes sociais são o gatilho para experimentar um prato novo; 54% usam o feed como guia de tendências.

Hoje: shoyu, missô, koji, cogumelos, tomate e queijos curados em receitas contemporâneas. Mudando: misturas inesperadas chegam a receitas populares. Vem por aí: texturas contrastantes, como crocante por fora e cremoso por dentro, recheios líquidos e molhos densos.

Case Bráz Elettrica: o projeto Elettrica & Co. leva chefs convidados à pizza, como Paul Cho, com gochujang, shoyu, chilli crispy e picles de nabo, relata Tiago Araujo.

Ficha técnica: estágio ganhando tração · foco na experiência sensorial do consumidor · todas as gerações · todas as regiões. Por onde começar: testar ingredientes, técnicas e combinações que gerem curiosidade.

10. Pequenos luxos

Tendência 10: pequenos luxos e indulgência acessível no delivery
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: pedir delivery virou hábito; o encanto agora está em pequenas indulgências e “luxos acessíveis” que elevam a rotina e comunicam repertório e estilo de vida.

  • 36% dos restaurantes parceiros percebem mais procura pelas opções sofisticadas do cardápio.
  • O que é premium para o consumidor: ingredientes especiais (53%), apresentação (49%), chef ou restaurante renomado (26%), embalagem diferenciada (18%), edição limitada (10%) e história da receita (6%).

Hoje: ingredientes premium em receitas simples, como o azeite trufado. Mudando: embalagens, finalizações e montagens indulgentes no delivery. Vem por aí: comida como capital cultural e social.

Case San: o Omakase para delivery, com ticket quase 3 vezes maior que o de um poke, somou quase 3.000 pedidos no último ano, segundo Martin Vidal.

Ficha técnica: estágio em expansão · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · todas as regiões. Por onde começar: identificar quando ingrediente, apresentação ou experiência transformam uma refeição comum em especial.

11. Consumo multigeracional & multiespécie

Tendência 11: consumo multigeracional e multiespécie, com famílias e pets
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: um mesmo pedido precisa atender várias gerações e até os pets da casa. Segundo o IBGE, seis gerações convivem hoje no Brasil, e os animais viraram membros da família.

  • Os pedidos em pet shop no iFood saltaram 42,8% em um ano.
  • 16% dos restaurantes parceiros já têm ofertas dedicadas aos pets.

Hoje: crianças e adolescentes influenciam as escolhas cada vez mais cedo. Mudando: pedidos compartilhados exigem cardápios que conciliem idades, restrições e gostos. Vem por aí: pets passam a pesar na escolha de restaurantes e experiências.

Case Formigueiro: as famílias pediam pratos diferentes, e o restaurante reuniu seis cozinhas num só cardápio. Hoje 9 em cada 10 clientes são recorrentes, conta Claudio José.

Ficha técnica: estágio ganhando tração a em expansão · foco em oferta e menu · Boomers, Gen Z e Millennials · Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sul. Por onde começar: entender quem participa do pedido e oferecer opções para várias idades, necessidades e pets.

12. Brasil com S

Tendência 12: Brasil com S e a culinária regional brasileira
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: junto ao hype da cultura brasileira, cresce o interesse por receitas, ingredientes e gastronomias regionais. A culinária brasileira é a segunda maior paixão do iFood, com mais de 140 milhões de pedidos em 2025.

  • Nunca provaram, mas têm vontade: barreado (54%), tacacá (49%) e pato no tucupi (44%).
  • Já provaram e querem repetir: arroz carreteiro (73%) e baião de dois (67%).
  • 50% têm muito interesse em sabores típicos de outras regiões do país.

Hoje: acarajé, churrasco, moqueca e queijo canastra valorizados além da origem. Mudando: ingredientes amazônicos ganham atenção, como o cumaru, conhecido lá fora como tonka bean. Vem por aí: releituras e fusões que criam uma “terceira cultura” culinária.

Case Amazônia na Cuia: ao sugerir bombons e biscoitos de cupuaçu, bacuri e castanha-do-pará como upsell no app, a loja recebeu pedidos com até oito bombons, relata Rafael Barros.

Ficha técnica: estágio em expansão · foco em oferta e menu · Gen Z e Millennials · todas as regiões. Por onde começar: trazer ingredientes e receitas de outras regiões e contar a história deles ao cliente.

13. Tempero latino

Tendência 13: tempero latino na gastronomia brasileira
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: saberes e sabores da América Latina são resgatados pela cozinha contemporânea e por tecnologias de alimentos inspiradas na região.

  • 48% dos usuários do iFood dizem que o interesse pela cultura latina aumentou no último ano.
  • Cozinhas com maior interesse: cubana (67%), colombiana (64%), venezuelana (60%), chilena (58%) e peruana (56%).

Hoje: além da mexicana, a peruana e a colombiana ganham espaço. Mudando: brasileiros passam a se reconhecer como latinos, e as fusões entre cozinhas se intensificam. Vem por aí: a região vira fonte estratégica de ingredientes e técnicas para o foodtech.

Case El Delírio: a comida mexicana virou rotina, com clientes que conhecem molhos e níveis de picância. Para Renato D’Angelo, música, drinks e ambiente fazem parte da experiência.

Ficha técnica: estágio em expansão · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · todas as regiões. Por onde começar: explorar sabores e referências latinas que combinem com a identidade do restaurante.

14. Dedo na cultura

Tendência 14: dedo na cultura, fandoms e eventos que movem o delivery
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: fandoms e o calendário do entretenimento passam a moldar cardápios, campanhas e produtos. Eventos culturais viram gatilhos de demanda antes e depois da transmissão.

  • 74% dos consumidores já pediram delivery durante um evento: jogos de futebol (48%), datas comemorativas (30%), finais de novela ou série (24%), BBB (21%) e shows transmitidos (19%).
  • A final do BBB 2026 gerou mais de 620 mil pedidos acima da média das quatro terças anteriores.

Hoje: novelas e universos como o K-pop viram oportunidade de engajamento. Mudando: shows, campeonatos e realities geram consumo temático. Vem por aí: cardápios desenhados no ritmo do que as pessoas assistem e comentam.

Case Patties: collabs com NASA, Chaves e futebol viraram produto. O Patties Legends vendeu mais de 45 mil combos em três meses, segundo Henrique Azeredo.

Ficha técnica: estágio ganhando tração · foco na experiência do consumidor · Gen Z e Millennials · Norte, Sudeste e Nordeste. Por onde começar: acompanhar os momentos que movem seu público e criar ocasiões de consumo em torno deles.

15. Cultura dos virais

Tendência 15: cultura dos virais e comidas que viralizam nas redes
Imagem: relatório Tendências do Foodservice, iFood + WGSN.

O que é: comidas que viralizam nas redes transformam conteúdo em picos de demanda quase instantâneos, movidos por estética, desejo e algoritmo.

  • Morango do amor (julho de 2025): +2.300% em pedidos em um mês.
  • Bolo pudim (abril de 2026): +128% em um mês.
  • Morango cravejado (setembro de 2026): +105.000% em 11 dias.
  • 35% dos usuários provam virais por curiosidade pelo sabor.

Hoje: alguns virais ficam, como pistache e matcha; outros são picos rápidos. Mudando: as redes aceleram o ciclo e decidem o que entra e sai dos cardápios. Vem por aí: o “AI Food Slop”, comida criada para ser vista numa tela antes de ser comida.

Case Scherbi’s: a marca escolhe quais trends seguir e sempre dá sua própria leitura, além de criar virais, como o cookie de doce de leite com gergelim, diz Isa Scherer.

Ficha técnica: estágio maturidade · foco na experiência do consumidor · Gen Z, Millennials, Gen X e Gen Alfa · todas as regiões. Por onde começar: monitorar as redes e testar rápido só os virais que combinam com a marca.

Tabela-resumo: as 15 tendências do foodservice 2027

A tendência mais madura é a cultura dos virais (estágio 4); a mais inicial é Do On ao Off (estágio 1). Estágios: 1 Emergente, 2 Ganhando tração, 3 Em expansão, 4 Maturidade.

Nº Tendência Estágio Onde aplicar Público-alvo Dado-chave
1 IA na operação 1–2 Gestão e operação Todas as gerações 83% reduziram erros ou desperdício com IA
2 Do On ao Off 1 Experiência Gen Z, Millennials 73% já pagaram antes de chegar
3 Pagamentos invisíveis 1–2 Gestão e operação Gen Z, Millennials, Alfa 54% querem self-checkout ou pagamento na mesa
4 Superconveniência 1–2 Oferta e experiência Gen Z, Millennials, Alfa 57% aceitariam entrega por drone
5 Clima Comida 2 Oferta e menu Boomers, Gen X, Alfa 75% sentem o clima na operação
6 Salão como plataforma de experiência 2 Experiência Gen Z, Millennials 55% têm salão ocioso à tarde
7 Fome de bem-estar 1–3 Oferta e menu Gen Z, Millennials, Gen X Comida Saudável +8,25%
8 Menu fixo flex 2–3 Oferta e menu Gen Z, Millennials, Alfa 38,7 mi de pedidos customizáveis
9 Explosão umami 2 Experiência Todas as gerações 72% sentem o paladar mais complexo
10 Pequenos luxos 3 Experiência Gen Z, Millennials 53% ligam premium a ingredientes especiais
11 Consumo multigeracional & multiespécie 2–3 Oferta e menu Boomers, Gen Z, Millennials Pet shop +42,8% em pedidos
12 Brasil com S 3 Oferta e menu Gen Z, Millennials Mais de 140 mi de pedidos de comida brasileira
13 Tempero latino 3 Experiência Gen Z, Millennials 48% com mais interesse na cultura latina
14 Dedo na cultura 2 Experiência Gen Z, Millennials 620 mil pedidos extras na final do BBB
15 Cultura dos virais 4 Experiência Gen Z, Millennials, Gen X, Alfa Morango cravejado +105.000%

Como aplicar as tendências no seu restaurante

O relatório organiza as ações em três frentes: gestão e operação, oferta e menu, e experiência do consumidor. Um checklist para começar:

Gestão e operação

  • Listar os três maiores gargalos da operação e testar uma ferramenta de IA em um deles.
  • Mapear onde o pagamento gera fila ou espera e avaliar self-checkout ou pagamento na mesa.
  • Cruzar vendas com a previsão do tempo para ajustar produção e compras.

Oferta e menu

  • Incluir opções personalizáveis e informar restrições e macronutrientes.
  • Testar um ingrediente regional brasileiro ou latino, contando sua origem.
  • Criar uma versão “pequeno luxo” de um prato campeão, com ingrediente ou finalização especial.
  • Revisar embalagens e receitas pensando no transporte.

Experiência do consumidor

  • Conectar redes, reserva, pedido e fidelidade numa jornada única.
  • Ocupar horários ociosos do salão com eventos, trabalho ou experiências.
  • Montar um calendário de eventos culturais e esportivos que movem seu público.
  • Definir um critério para entrar ou não em virais, sempre com a cara da marca.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o relatório Tendências do Foodservice 2027?

É um guia do iFood em parceria com a WGSN, lançado em setembro de 2026. Ele mapeia 5 forças propulsoras e 15 tendências que devem transformar restaurantes, delivery e bares no Brasil.

Quais são as 15 tendências do foodservice?

IA na operação, Do On ao Off, pagamentos invisíveis, superconveniência, Clima Comida, salão como plataforma de experiência, fome de bem-estar, menu fixo flex, explosão umami, pequenos luxos, consumo multigeracional & multiespécie, Brasil com S, tempero latino, dedo na cultura e cultura dos virais.

Quais são os 5 propulsores do foodservice?

Hiperpersonalização, otimização consciente, economia da dopamina, tributo ao corpo e vida sem atrito.

Qual tendência do foodservice está mais madura?

A cultura dos virais, no estágio 4 (maturidade). Do On ao Off é a mais inicial, no estágio 1 (emergente).

Quanto o iFood movimentou na economia brasileira?

R$ 166,9 bilhões em 2025, alta de 19% sobre 2024 e o equivalente a 0,70% do PIB, segundo a Pesquisa FIPE 2026.

Como a IA está sendo usada nos restaurantes?

Em estoque, previsão de demanda, atendimento e gestão. 83% dos parceiros do iFood que usam IA dizem que ela reduziu erros ou desperdício.

O clima afeta o delivery?

Sim. 75% dos parceiros do iFood sentem o impacto do clima, e os pedidos de sorvete subiram 24,5% em um ano, chegando a 41,3% no Nordeste.

Por que comidas virais vendem tanto?

As redes transformam visibilidade em demanda imediata. O morango cravejado teve alta de 105.000% nos pedidos em 11 dias, e 35% dos usuários provam virais por curiosidade.

Como um restaurante pequeno pode começar?

Escolha uma frente por vez: simplifique o pagamento, ofereça opções personalizáveis e use a previsão do tempo para planejar a produção.

Conclusão: conveniência que vira vínculo

O recado do relatório é que preço e tempo de entrega já não bastam para diferenciar um restaurante. Vence quem usa tecnologia para operar melhor e, ao mesmo tempo, entrega prazer, saúde, identidade e pertencimento no prato. Como resume o guia, o futuro se constrói quando as tendências chegam às mãos de quem faz o negócio acontecer.

Fonte: Tendências do Foodservice, iFood + WGSN, setembro de 2026. Dados de consumo do iFood e Pesquisa FIPE 2026.


Fabio Costa

Este conteúdo foi produzido por Fabio Costa, colunista convidado do Mundo Food Service. O autor responde integralmente pela apuração, redação e curadoria das informações aqui apresentadas.

CEO da Idea Shake Digital e cofundador da Mundo Food Service. Escrevo sobre IA, automação, marketing e transformação digital aplicada ao food service e negócios.

O Mundo Food Service é uma comunidade que conecta fornecedores aos bares, restaurantes e lanchonetes, oferecendo conteúdo estratégico, ferramentas e soluções para impulsionar o setor de alimentação fora do lar.

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