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Licença-Paternidade Ampliada: Impactos e Orientações para Empresas

A Lei nº 15.371, de 31 de março de 2026, trouxe mudanças relevantes no cenário trabalhista brasileiro, especialmente no que se refere à ampliação da licença-paternidade. A norma reforça a importância da corresponsabilidade familiar e impacta diretamente a rotina das empresas, inclusive no setor de food service, onde a organização de escalas e a continuidade operacional são essenciais.

Diante desse novo contexto, é fundamental que empresários e gestores compreendam como a lei funciona na prática, quais são os prazos envolvidos e como estruturar a empresa para cumprir a legislação com segurança jurídica e eficiência operacional, especialmente com a nova licença-paternidade ampliada.

1. O que Mudou com a Lei 15.371/2026 sobre a Licença-Paternidade Ampliada

A nova legislação estabelece a ampliação progressiva da licença-paternidade, com o objetivo de incentivar a participação do pai nos primeiros dias de vida do filho e promover maior equilíbrio nas relações familiares.

Até então, a regra geral previa 5 dias corridos de licença-paternidade, podendo chegar a 20 dias para empresas participantes do Programa Empresa Cidadã. Com a nova lei, a ampliação passa a ocorrer de forma gradual, permitindo que as empresas se adaptem à nova realidade ao longo do tempo.

Além disso, a norma reforça a necessidade de cumprimento dos prazos legais e a garantia do afastamento sem prejuízo da remuneração do empregado.

2. Tabela Progressiva da Licença-Paternidade

A seguir, um modelo ilustrativo da progressão prevista pela nova legislação, considerando a ampliação gradual dos dias de afastamento da licença-paternidade:

Ano de VigênciaDias de Licença-Paternidade
20265 dias
202710 dias
202815 dias
202920 dias

Observações importantes:

•Os dias são contados de forma corrida, incluindo finais de semana e feriados;

•O início da licença ocorre a partir do nascimento da criança ou da formalização da adoção;

•Para empresas que aderem ao Programa Empresa Cidadã, podem existir regras específicas complementares;

•A remuneração do empregado deve ser mantida integralmente durante o período de afastamento.

3. Como a Empresa Deve Proceder na Prática com a Licença-Paternidade Ampliada

Para garantir o cumprimento adequado da legislação, é essencial que a empresa adote algumas medidas organizacionais em relação à licença-paternidade ampliada:

✔️ Ajuste de escalas e planejamento antecipado: No setor de food service, onde a operação depende de equipes completas, é importante prever substituições temporárias ou redistribuição de funções durante o período de afastamento.

✔️ Comunicação interna clara: Os colaboradores devem ser informados sobre seus direitos e sobre os procedimentos internos para solicitação da licença.

✔️ Organização documental: A empresa deve manter registros relacionados ao afastamento, como certidão de nascimento ou documentação de adoção, garantindo conformidade em eventuais fiscalizações.

✔️ Integração com o departamento pessoal: A folha de pagamento deve refletir corretamente o período de afastamento, assegurando que não haja prejuízo financeiro ao empregado.

4. Impactos para Restaurantes, Bares e Lanchonetes

Embora a licença-paternidade ampliada represente um avanço social relevante, ela também exige atenção por parte dos empresários, especialmente em setores com equipes enxutas e alta demanda operacional.

Entre os principais impactos, destacam-se:

•Necessidade de maior planejamento de equipe;

•Ajustes na gestão de jornadas e escalas;

•Eventual aumento de custos indiretos com substituições;

•Reorganização de funções durante o período de afastamento.

Por outro lado, empresas que estruturam bem esses processos tendem a colher benefícios importantes, como maior engajamento dos colaboradores, melhoria do clima organizacional e fortalecimento da imagem institucional.

Conclusão

A Lei nº 15.371/2026 representa um avanço significativo na legislação trabalhista, trazendo novas responsabilidades para as empresas e reforçando a importância da organização interna. Para empresários do setor de food service, o cumprimento adequado da norma sobre a licença-paternidade ampliada passa por planejamento, comunicação e controle. A adoção de processos claros e bem estruturados não apenas garante conformidade legal, mas também contribui para a construção de um ambiente de trabalho mais equilibrado e sustentável.


Este conteúdo foi produzido por Christiane Araujo, colunista convidada do Mundo Food Service. A autora responde integralmente pela apuração, redação e curadoria das informações aqui apresentadas.

Advogada Trabalhista Empresarial, com ampla experiência no setor de alimentação. Pós-graduada em: Direito Civil e Direito Processual Civil, Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho e Direito Empresarial. Mentora Jurídica. Membra das Comissões de Direito do Trabalho da OAB/Barra da Tijuca e de Mentoria Jurídica da OAB/DC. Membra da Comissão de Direito do Trabalho da ABA/RJ. Colaboradora da Comissão de Direito do Trabalho da OAB/DC. Sócia fundadora do Escritório Christiane Araujo Advocacia Trabalhista Empresarial.

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