Existem múltiplos campos dentro da gastronomia e entender isso, acredito ser o primeiro passo para uma carreira bem sucedida.
Quantos mais repertório e experiências, melhor!
Como confeiteira, cheguei a acreditar que não existiam tantas possibilidades dentro desta vertente da gastronomia, mas o tempo me mostrou as oportunidades e também necessidades obrigatórias de aprendizado.
Meu terceiro emprego foi em um navio de cruzeiro internacional, aos 22 anos de idade e quero contar pra vocês um pouco mais sobre isso, pois a vida na cozinha não é somente sobre cozinhar!
Saí da minha zona de conforto logo jovem. Trabalhava em um hotel em Copacabana, a 3 quarteirões da minha casa. Embora a jornada fosse puxada — isso é papo para outra coluna — eu já estava adaptada ao trabalho.
Dominava as receitas, conhecia toda a equipe do hotel, tinha a confiança dos diretores e sabia como me virar em praticamente todas as situações. Quando resolvi apostar nesta nova empreitada, fiz duas entrevistas em inglês e na segunda, o recrutador me ofereceu a vaga de sub chef de confeitaria do navio. Como sempre faço, aceitei para ver no que daria e não tinha a mínima ideia do tanto de desafios que apareceriam.
Para início de conversa, descobri que eu teria que fazer um curso de salvatagem em Santos. O ano era 2006 e ainda não era moda trabalhar embarcada. Só existia esse curso para tripulantes no Brasil e eu raspei todo o pouco dinheiro que tinha guardado para pagar a passagem para Santos, o curso e minha passagem para Barcelona, cidade onde eu embarcaria nesta jornada!
Meus pais me apoiaram — hoje acredito que por pura ignorância do tanto de desafios que eu teria do outro lado do oceano — mas eu percebia a apreensão deles na despedida.
Fiz a despedida no dia do meu aniversário, 1° de setembro, e dia 4 de setembro eu estava em Barcelona, com um mochilão nas costas, diante de um monstro flutuante.
Quando entrei por aquela porta, fui recebida por alguns brasileiros que faziam parte da segurança do navio e fui direcionada para a minha cabine. Ali começou o meu desafio!
Uma cabine de aproximadamente 4×4 metros, com dois beliches e quatro minúsculas portas de armário. Cortininhas fechavam as camas e fazer minha roupa caber naquele espaço minúsculo foi só a ponta do iceberg!
Minhas companheiras de cabine eram romenas e filipinas. A cabine era escura, com carpete e pessoas estranhas. Se o quarto era pequeno, o banheiro vocês podem imaginar.
Não lembro quem me levou ao meu setor de trabalho, mas a minha vontade ao chegar na confeitaria foi de sair correndo.
Muitos homens. Todos me olhando de cima a baixo. Indianos, filipinos e romenos com o olhar nítido de “O que essa menina está fazendo aqui?”
A confeitaria ficava um nível abaixo da água. As portas eram enormes, as câmaras enormes, os equipamentos gigantescos.
Eu realmente não conseguia imaginar como seriam meus próximos sete meses embarcada.
Andar pelo navio era um completo desafio. Um grande labirinto, com pessoas falando um inglês incompreensível.
Como eu me virei e como me adaptei a este novo universo e transformei o navio em um grande lar deixo para a próxima coluna!
Este conteúdo foi produzido por Dianna Macedo, colunista convidada do Mundo Food Service. A autora responde integralmente pela apuração, redação e curadoria das informações aqui apresentadas.
Carreira pautada em experiências nacionais e internacionais, em grandes hoteis e pequenos bistrôs. Gestão de equipes, treinamento, criação de cardápios e gestão de pequenos negócios.
Leia a coluna de Dianna Macedo
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